O blog dos meus sonhos

O sonho é uma maneira de o inconsciente transmitir mensagens.

Abra os olhos! 27/10/2015

Filed under: Sonhos — Lalapis @ 23:20
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Não havia combinação melhor do que o encontro do meu corpo com aquele macio, acolhedor e tão bem-vindo colchão. Minha mente já havia despertado, mas a preguiça me impedia de mexer qualquer parte do meu corpo.

Tantos dias de trabalho acumulado nos últimos meses me fizeram extravasar na noite anterior. O que significava me dar o luxo de beber algumas cervejas, socialmente, para rir um pouco mais do que me permitia normalmente. A noite havia sido memorável, cheia de companhias que tanto valorizava. Na verdade não imaginava reunir tanta gente importante pra mim num lugar e numa noite só. A única coisa que conseguia trabalhar aquela hora do dia era minha memória, revelando algumas cenas da noite anterior.

E ele estava ali, próximo a mim. Era tão difícil tê-lo por perto e estava tão perto de acabar de novo! As vezes que estávamos juntos era algo tão simples e fácil, natural e fluente, não sabia explicar o tipo de relação que mantínhamos. Será que estava em algum colchão próximo? Não fazia ideia de como e que horas fui dormir, simplesmente apaguei. Espero não ter me esquecido de nada relevante da noite anterior. A casa estava tão cheia que aproveitamos o quarto enorme dos meus pais para por os colchões no chão, como se fossemos crianças na festa do pijama na casa do amiguinho.

Ouvi um estalar de ossos, que deve ter mudado de posição ou acordado. Meu sono leve me impedia de não ser a primeira a acordar (ou a segunda, após ser acordada pela primeira) quando dividia quarto com alguém.

Aproveitei que meu cabelo irritavelmente cobria o meu rosto e ameacei a abrir minhas pálpebras. Afffe, detestava quando meu corpo tomava decisões sem me consultar. Amiguinho, porque você não avisou meu sono leve pra ele dar uma segurada pra gente continuar dormindo junto, hein? Só queria abrir as pálpebras lentamente e fingir estar dormindo, mas elas estavam grudadas, e com um maior esforço elas se abririam abruptamente de modo a me revelar! Meu discurso mental fez efeito, consegui abrir lentamente o olho direito, o que estava mais perto do colchão portanto mais seguro, e tão coberto pelo meu cabelo que ninguém que supostamente estivesse acordado pudesse me perceber.

Há uma distância de dois braços ao meu lado, deitado de costas, estava ele segurando seu celular acima do peito. Claro, era o que ele mais fazia, chegava a ser irritante. Meu corpo já doía na mesma posição. Aproveitei e me ajeitei, ao mesmo tempo deitando de lado (voltada para ele, claro, queria ter uma ampla visão), franzindo a testa e soltando uma leve sussurrada, para ser convincente em estar talvez tendo alguma perturbação no sonho. Não sei como ele agora não conseguia perceber que eu também o via. Nossa, como eu era boa nisso!

Assustado, ele me olhou rapidamente e aguardou uns segundos. Talvez quisesse descobrir se eu acordara ou estava só sonhando. Sussurrei de novo e ele então sorriu, divertido. Ai Deus. Ele virou em minha direção e apoiou a cabeça na palma da mão a me assistir.

Pensei em fingir acordar: abrir os olhos, dar de cara com seu sorriso, espreguiçar, fechar os olhos novamente, sorrir, dar bom dia… Mas preferi permiti-lo a me olhar. Queria ver até quando. A relação que mantinha com ele era recíproca: nós trocávamos poucas palavras e nos entediamos muito bem. Era incrível como nossas simples ações sincronizavam de maneira a se encaixar em perfeita sintonia. Eu como sempre de muitas palavras me surpreendia como podia manter um relacionamento daquela maneira, sem dizer muita coisa. Como assim, eu, em silêncio ? Talvez isso me atemorizasse ao ponto de não querer dar um passo a mais.

Nosso olhar era simples porém compreensível. Comparavelmente com minhas suprexpressões usadas diariamente, com ele eu não possuía de testas franzidas, sobrancelhas arqueadas ou olhos arregalados. Nosso silêncio era bizarramente cabal. O medo de sair daquela zona de conforto era muito grande. Não queria abrir os olhos, agora já algum tempo fechados, tinha certeza que ele mantinha a mesma posição.

Não percebi que agora eu já sorria dormindo, droga, será que eu estraguei meu disfarce!? Ninguém mais ao nosso redor havia se despertado, quando dessa vez ouvi novamente alguém se levantando. Era ele que decidiu se por de pé apoiado na mesa á frente de nossos colchões e persistia olhar pra mim, sorrindo ainda mais. Fiquei na dúvida se ele estava com cara de  “quero ficar aqui olhando pra você até cansar, uma vez que você ainda está dormindo” ou como “até quando você vai continuar tentando me enganar?”

Talvez não quisesse despertar daquele fim de semana, como se aquilo impedisse os próximos momentos, aonde nos despediríamos em breve.

Decidi permanecer “dormindo”, sendo seu objeto de contemplação, qualquer fosse o motivo.

 

SMILE! 08/09/2015

Filed under: amor — Lalapis @ 18:21
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To open my eyes. Hard task after so many hours of flight. I was still tired from the whole week of work. Couldn’t even had enough time to be excited about the time I was about to spend. Anxious was not part of me this time. That explains all the sleeping throughout the flight.

The plane was almost empty, the last passengers were almost gone and I was still trying to stand up. Adrenaline hit me when I realized someone was going to end up asking me to make myself out of the airplane. Suddenly picked up my purse beneath the front seat, put my hat on, grabbed my backpack up the overhead bin, and ran out to the front like I was just waiting for everyone to go, put a look on my face like  “Urgh, whats the hurry of all these people? Like they don’t have to wait for their bags.” Classy I am.

I had a glimpse of my bag in the carousel when I saw him.

I didn’t care anymore for bragging about having the third bag in the carousel while I. Had. THE. biggest. smile. Waiting for me. Oh my God, I could get lost in that smile. It was wise, clear white, happy, sincere and not actually expected. I was happy bout it, I just didn’t know he was so happy to see me. Maybe a little? Not so much. What was that all about? He meant so much to me. All that thinking made me wonder if I could keep up with that. SMILE! There was it, in my face. I hope he sees it, does he? SMILE! I was probably doing my so-serious-face through the way. SMILE! Oh my God that is THE biggest rollercoaster, which actually could definitely compete with that beautiful. Welcoming. Smile.

🙂

I was still shy around him. SIMLE! I thought that reception allegory would be decomposed before I got to him. It was such a long way! He couldn’t keep it that long. Could he? Oh my God, woman SMILE!

And I couldn’t feel the floor anymore. My feet were suspended, my body squeezed. I was running out of air, but what the hell… I couldn’t stop THAT. Now I could smile all I wanted. I wasn’t facing him. I didn’t need to deal with that. I had to deal with my eyes being invaded by my cheeks. My face felt so hot, I was obviously blushing. The fact I realized it made me burn.

My arms were around him. My hands couldn’t touch each other, he was so big. That’s how hard I was trying to let him know. I actually had never felt so close to him like that before. And the fact that amazed me is that he was the one leading. Cheek ache. I couldn’t help it neither control them. It felt so good. Could he be possibly feeling the drums of my heart?

Oh, damn it! If he wasn’t, HE SHOULD! I pressed my arms even harder against him, and my knees were suddenly bent up. Flying in the air, trying to keep up with his bear hug.

He definitely felt it, because he pressed his cheek into mine. Oh my God, I thought they were as close as it could possible be! SMILE SMILE SMILE SMILE SMILE! Endless! Please don’t stop! My skin could feel his beard. Jesus. I softly moved my face feeling it better. Smile almost faded. Accidentally exhaled on his neck, shit. Smile.

He couldn’t put me on the floor because my feet were still flying. We both laughed, feeling each others breath. And when I thought he’d stop, as soon as my feet were on the ground, after all that century, he just pulled me more against him.

He didn’t let me go. He didn’t want to let me go.

 

Memória seletiva 08/06/2013

Filed under: Sonhos — Lalapis @ 12:21
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O juiz estava prestes a dar o apito inicial. Cada time pro seu lado do campo. 1 minuto de silêncio pela morte do jogador Zazá.

Zazá havia morrido? Lembrei do meu ex namorado, o quanto se parecia com Zazá. Será que todos o ligavam ao jogador como eu? Me deu vontade de perguntá-lo… não, agora não.

Como perdi isso? Estavam fazendo um minuto de silêncio no jogo inesperado. Sentei na TV pra assistir um jogo e recebi a notícia de um falecimento. Como assim? Sempre soube de tudo que acontecia, sempre fui ligada, ainda mais algo desta grandeza…. Espere aí.

Agora me lembro.

Eu estava dormindo na hora. Foi durante uma paralisia do sono*, durante um jogo, em que percebi o quanto as pessoas ficaram tristes, um jogador saíra de maca do campo e o jogo simplesmente parou. Acabou na hora. Aquele era o mesmo jogo se repetindo, pois não havia mais condições de terminarem aquela partida depois de um falecimento. Ouvira todo o acontecido no jogo passado, mas não conseguia me mexer, nem abrir meus olhos, nada.

Maira Melico, sua esposa, se revelou na tela chorando no banco durante aquele 1 minuto.

Foi algo tão obviamente impactante que alguns jogadores, também, ainda choravam. Olhei para os lados para enfrentar as caras de surpresa como a minha, na esperança de que alguém também tivesse perdido aquele fato, mas não. Todos segurando seus copos, intactos, sérios, tristes, olhando para a TV respeitando aquele momento.

Tudo bem, entendi que o falecimento havia realmente se passado durante minha paralisia do sono mas … E depois? Não ouvi ninguém falando sobre aquilo? Não usei a internet como faço todos os dias? Impossível utilizar internet durante esse intervalo de tempo e passar batido por esse assunto. Não ouvi rádio, não vi TV? Quantos dias haviam se passado? Quanto tempo!?

Isso nunca acontecera antes: um jogador morrer durante o jogo. Que tipo de colisão levaria alguém à morte num jogo de futebol? O que seria do futuro do futebol no Brasil? Os pais não encorajariam mais seus filhos a jogarem. Não eu!!

Meu Deus, estive eu em coma esse tempo todo ou o quê ? Meu senso de percepção e tempo havia se perdido, não sei aonde me encontrava!

Era a única pessoa naquela sala que havia acabado de perceber que Zazá não estava vivo.

Lágrimas correram. Soluçava de angústia, tristeza. Por que ele? Era uma pessoa tão boa, um ótimo exemplo para os futuros jogadores. E um ótimo jogador de futebol! Não entendia porque o levaram… Como deixaram isso acontecer? Havia sido feito justiça?

Estava eu ainda dormindo? Seria tudo isso parte do mesmo sonho e por isso não havia lido notícia nenhuma? Tentava acordar e não conseguia. Lembrei que quando chorava muito nos meus sonhos eu acabava acordando, então chorava mais, me forçava a ir mais fundo na tristeza pra ter certeza de que acordaria. Nada acontecia. Não é possível!

Era realidade. Não tinha como fugir.

Até aquele momento preferi achar que a ausência de Zazá era apenas um sonho. As lágrimas, de tentativa para acordar passaram a representar, sem menor dificuldade, uma tristeza profunda. Ele morreu, pra mim, naquele momento! Todos me olhavam assustados com cara de “Não sabia que ela era sensível assim” ou “Ela era fã dele e eu não sabia” ou coisa parecida. Afinal, já havia se passado um certo tempo. Me senti uma idiota, atrasada, alienada.

Tadinha da Maira Melico. De uma maneira queria ajudá-la. Ela tinha dois filhos novos… Zazá nunca mais os veria. E eles, dois filhos sem pai, uma mulher sem marido.

Um pai que morreu num choque corporal tão bobo. Uma simples trombada de jogo. O que tinha naquela diferente das outras que o fez levar a morte ? O que aconteceu de tão perigoso ?

As cenas da colisão se repetiam na minha mente. Além de não ter tido maldade alguma, aparentemente, de nenhum dos dois envolvidos, o outro jogador não sofreu nem um arranhão. Pasmo, não acreditara no que havia acontecido. Ele não teve culpa nenhuma.

Minha memória guardara isso.

Mas a paralisia do sono não permite abrir os olhos, apenas ouvir ao redor. Como poderia me lembrar de tantas cenas? Como poderia me lembrar da trombada, do jogador atônito, da maca saindo em campo e não lembrava do falecimento?

O que mais havia perdido esse tempo todo?

* Para saber mais sobre paralisia do sono: http://pt.wikipedia.org/wiki/Paralisia_do_sono

 

Abraço de urso 03/06/2013

Filed under: Sonhos — Lalapis @ 22:19
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(…)

Mas nem só de carne vive o homem.

A relação já estava desgastada. Eu não mais o atendia quando me chamava, nossa química não era mais suficiente para mim.

Num dia, então, em um encontro inesperado, algo surpreendente aconteceu. Algo que eu não esperava, talvez nem ele.

Um amigo convidou  a mim e outros amigos para um fim de semana em sua casa na Serra. Eu achava que sabia de todos os participantes envolvidos pro fim de semana. Fechamos um carro com quatro pessoas e fomos em direção ao destino. Chegando lá, tiramos todas as coisas do carro, achamos nossos quartos, colocamos nossas bolsas nos devidos lugares e nos direcionamos à sala aonde se encontravam os outros.

Quando entrei na sala, dei de cara com o Lú. Lindo como sempre. Suas covinhas enormes me tiravam o chão. Sentia um tesão enorme por covinhas e as dele eram gigantes, queria morar ali dentro.

Nossos olhos se encontraram, após alguns segundos de processamento ele deu a iniciativa e sorriu, eu retribuí. Meu cumprimento não foi natural, foi seco. Não queria dar margem nenhuma pra ele pensar seja lá o que fosse. Aqueles eram os meus amigos, o meu lugar. Não entendi o que ele estava fazendo ali. Rapidamente ele voltou à sua conversa, estava sentado no sofá com mais duas pessoas, bebendo e conversando. Eu puxei as mangas compridas da minha blusa para os cotovelos respondendo ao calor e fui em rumo à cozinha ajudar aprontar os comes-e-bebes.

Nunca havíamos estado sequer no mesmo ambiente senão em nossos encontros, por escolha dele, eu não me importava com isso. Fiquei me questionando se ele sabia que eu estaria ali, pois pelo seu comportamento natural ele não teria ido, teria evitado esse tipo de convivência. As vezes pensava que ele queria ficar longe da chance de gostar de mim e por isso poupava sua presença para quando e onde estivessem somente eu e ele, onde ele podia ser quem quisesse sem ninguém mais pra assistir, sem o julgamento de outras pessoas perante ao papel que atuava comigo. Era certo e claro que ele não queria expor seu ‘eu’ verdadeiro a mim. Mas eu nunca soube ao certo por que.

Mantive distância enquanto pude durante a noite. Como a iniciativa partia quase sempre de mim, se eu evitasse, era quase certo de que não haveria nenhum contato entre nós. Houve em média durante a noite 3 a 4 grupos cujos participantes revezavam. A noite foi agradável, divertida. Bebíamos vinho e falávamos de casos recentes, fofocas. Algo que era muito comum entre nós.

Pensei por algum instante o que exatamente ele estaria fazendo ali. Os amigos eram meus, para o Lú eles eram apenas conhecidos, o que me deixou confusa. Ele simplesmente caiu de paraquedas no meu meio. Não fazia ideia do motivo de ele estar ali. Mas não me incomodava. Contanto que ele ficasse distante eu permaneceria natural como sempre fui com meus amigos. E realmente não houve nenhuma interação entre nós dois, até o final quando sobraram apenas 4 pessoas: eu, dois amigos que estavam conversando comigo e ele, que após dar umas voltas na cozinha, lavar sua taça e botar umas almofadas no lugar se dirigiu a nós e sentou ao meu lado no colchão que estava no chão.

Senti uma resistência, uma barreira entre nós. Algo incômodo para uma noite tão agradável. Mas nada tão grande que eu não soubesse disfarçar. Sabíamos manter isso só entre nós. Meu forte era a discrição dessas situações embaraçosas, cujo contrário me deixaria mais vulnerável, caso alguém percebesse e quisesse se meter aonde não pertence. Detestava vulnerabilidade. As pessoas não sabiam lidar com isso. A maioria sempre queria alfinetar aquele espaço ao livre, fraco e totalmente exposto, então sempre soube me camuflar muito bem.

De lado um para o outro, normalmente respondíamos aos demais integrantes do grupo, nunca um ao outro. A conversa era sobre família, relações amorosas, relações entre irmãos, como isso afetava as pessoas fora de casa com amigos, na escola, no trabalho. A conversa era construtiva, os argumentos interessantes, uma discussão saudável.

Em um momento, Lú começou a se abrir. Falava sobre sua família, o quanto sofria por não ter tido a devida atenção em casa, e como isso o tornou uma pessoa que se esforçava para que sempre ficasse sozinho, não importava quem era, ele nunca conseguia ficar muito tempo com a mesma pessoa. Senti que ele falava de maneira genérica, não referia a mim. Algumas vezes nos nossos encontros ele se abria comigo sobre casos específicos, dizia que gostava dos meus conselhos, que de todo encontro ele levava algo de bom pra casa. As conversas eram sinceras, pelo menos do meu lado sim, do dele eu suspeitava… e modéstia parte sempre fui boa para conselhos.

Como de costume, o ouvi atentamente, como também as duas outras pessoas, mas os conselhos deles não somavam em nada. Tive vontade de mandá-los se calarem.

Durante todo o relato ele olhava pra baixo, mexia nas mãos, com as pontas dos dedos, não olhava nos olhos de ninguém. Eu já o encarava há muito tempo quando ele terminou e olhou pra mim só virando os olhos para cima e a cabeça ainda inclinada para baixo. Os outros dois já conversavam entre si, não estavam mais prestando atenção, não deram a importância devida. Ele esperava algo de mim. Fiquei alguns segundos parada só olhando, pensando o que fazer.

Antes de terminar abrir meus braços ele já veio em minha direção, meio deitado de costas para minhas pernas, mas me abraçando frente a frente. Um abraço completo, cheio, um abraço de urso. Minhas mãos quase se tocavam nas costas dele e vice-versa. Ele respirou fundo, eu o acompanhei. Dei um beijo rápido em seu ombro, um beijo que dizia “está tudo bem”. Apertamos o abraço. Um abraço que pode ter sido rápido, mas para nós durou uma eternidade. Um abraço de paz. Em silêncio. O silêncio que dizia tudo.

 

Tempo 13/03/2012

Filed under: Sem categoria — Lalapis @ 09:15
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Tempo tempo tempo tempo…
Tempo que não volta atrás.
Tempo que não dá outra chance.
Faça hoje ou nunca mais
Porque o amanhã não existe.

 

Meu? 27/06/2011

Filed under: Sonhos — Lalapis @ 12:28

Estava em uma pousada com muitos colegas. Esperávamos algum evento dar início, e enquanto isso minhas amigas queriam ficar ali na piscina conversando com os garotos. Eu não estava nem aí pra eles. Estava em uma espreguiçadeira esperando o tempo passar… Havia deixado um bilhete para o Arthur antes de ele acordar e o esperava se arrumar. Como sempre ele estava correndo pois o trabalho tomava muito seu tempo, tudo se tornara corrido. Nossos encontro às escondidas já me incomodava. Esse conjunto de coisas já fazia nosso caso ser menos interessante, não me agradava mais.
Meu telefone tocou, corri até a minha bolsa para atender. Me surpreendi quando vi que era ele. Ele não ligava mais. “Ei amor” “Ei Arthur… Tudo certo?” “Tudo, quero te ver. Você acabou comigo deixando aquele bilhete. Quer me deixar doido?” “(Risos) Não imaginei que fosse ficar tanto”. Sorri. Claro que sabia.
Cheguei aonde ele estava em 5 minutos, era só atravessar a rua. Ele ficava ali alguns dias da semana para podermos nos ver. Enquanto ele arrumava sua bolsa, conversava comigo me atentando, já que eu o fiz em primeiro lugar. Conseguiu. Depois de tê-lo feito um pequeno agrado, ele me abraçou e olhou nos meus olhos “Você é demais sabia?”.
Esperei do lado de fora do quarto pois o barbeiro havia chegado pra cortar seu cabelo. Nem ele podia me ver. Arthur saiu em 10 minutos. O cabelo dele era ralo e não levava muito tempo. Apressado para o trabalho, me puxou pela mão para que o acompanhasse até chegar até o metrô. Pôs seu braço esquerdo em cima dos meus ombros, me deu um beijo e me olhou com sua carinha de frustrado. Seu cabelo estava esquisito, parecia que as partes do lado e de cima eram separados, e estava arrepiado. A vontade era de perguntar “o que você fez com seu cabelo?” mas não quis deixá-lo mais chateado do que parecia estar pois o estrago já havia sido feito. Correspondi à sua carinha frustrada, e apesar disso, o achava lindo do mesmo jeito, então sorri. “Amor, olha o que ele fez com seu Arthuzinho? Olha esse cabelo?”. Seu. Ele disse que era meu, sempre dizia, mas no fundo me perguntava se realmente queria dizer isso. “Quando eu voltar do trabalho quero ver você me esperando, estou com saudades. Mas me espera daquele jeito… depois do bilhete que me deixou vou pensar nisso o dia inteiro” piscou, sorriu e me beijou.

 

Segredo quase revelado 07/06/2011

Filed under: Sonhos — Lalapis @ 02:24

Muitas pessoas estavam no sítio, era aniversário de alguém ou alguma festa. Ele estava ali no meio, não entendia muito bem como ele foi parar bem no meio de uma festa aonde estavam todas as pessoas da minha família. Tudo ainda era segredo, e eu não conseguia conversar muito. Queria ficar quieta. O quanto menos falasse, melhor era, menor era a chance de sair algo que não deveria falar. Só observava todo mundo conversando. Ele estava no meio da roda dos meus primos, todos gostaram muito dele. Júlia estava do meu lado e também tinha a mesma preocupação que a minha. Ela olhava pra mim de lado assim que ouvia algum assunto suspeito. As duas tentavam arrumar uma situação pra dispersar todo mundo, mas era difícil. Todos os meus primos o interrogavam sem parar, e ele estava ali somente como um amigo meu e do meu irmão. Eram perguntas de curiosidade pois ele morava em outro lugar, fora do país.

Assim que as perguntas acabaram por aquele momento, eu e Júlia começamos a nos movimentar, ela pegara a máquina fotográfica dele para tirar uma foto minha. Gustavo, com a mão no queixo, se aproximou de mim e falou bem baixinho no meu ouvido “Ele é o dito cujo?”. Putz. Pra quê eu fui falar pra tanta gente. Que boca grande, a minha. Não aguento guardar as coisas pra mim e acabo confiando em tantas pessoas, que esqueço de lembrar que elas também tem muitas pessoas em quem confiam. E assim, quem eu não queria que soubesse, estava sabendo. Era o início da bola de neve sair rolando e pegar todo mundo que ainda não sabia. Júlia me chamou “Larissa, vem tirar a foto logo” entendendo a situação, olhei para Gustavo e balancei a cabeça levemente em resposta a sua pergunta e saí para perto da Júlia, esperando que eu tivesse respondido sobre outra coisa, e não sobre ele. Eu estava com uma cara de quem não queria nem estar ali pra presenciar aquela bagunça que iria acontecer, torcendo para que meus pais estivessem bem longe, mas sabia que ele era esperto. Dali não ia sair nada, tinha certeza, não importa quantas perguntas fossem direcionadas a ele.

As rosas que foram plantadas ali do lado do curral estavam LINDAS. Eu não gostava muito de flores, nunca liguei muito pra elas. Meu pai sempre teve o maior cuidado, e sempre implorava para que a gente cuidasse delas também, para que gostasse, mas eu nunca pulei nesse barco. Apesar disso, aquelas rosas tiraram um sorriso de mim. Tinham rosas azuis claras, rosas brancas, rosas rosas, rosas vermelhas. Havia outros tipos de flores no meio, um deles era de cor amarela. Havia esquecido o nome dessa flor, mas esta incrivelmente se sobressaiu no meio das rosas. Achava rosas um pouco “comum”, meio clichê. Júlia já não aguentava mais esperar com aquela máquina na mão, com uma cara feia do tipo “ai, anda logo, são flores”, só não falara nada até então por que sabia que eu precisava de momentos ‘bons’, via que aquele momentinho-com-flores era alguma coisa boa pra mim em meio às minhas preocupações. Sentei ali na frente das flores amarelas e sorri pra Júlia.

Pronto, havíamos voltado para o hotel na cidade e o restante caçaram seus rumos. A festa continuara por ali, mas lá só estavam eu, Júlia e ele, agora com seus amigos. Menos perigo, o sufoco passara. Estávamos na área de festas do hotel. Ele estava aproveitando seus poucos momentos ali com os amigos, eu e Júlia conversando ali ao lado e decidimos dar uma volta lá em cima. “Querido, me empresta sua máquina de novo, por favor” pedi, ele a levantou, Júlia pegou e colocou no pescoço, eu disse “já volto”, ele apenas balançou a cabeça e piscou. Gostava de deixá-lo a vontade com os amigos, até por que eles sentiam um certo ciúme de mim. Coisa boba, mas acho que entendia, por não passarem muito tempo com ele.

Antes de chegar ao topo do prédio, passamos no nosso apartamento para Júlia pegar alguma coisa que esquecera. O apartamento dele ficava dois andares acima do nosso, aonde também passamos para que eu deixasse algo que ele havia pedido. Seguimos subindo para o topo.

Aquelele hotel era diferente. Lá em cima havia uma piscina relativamente pequena, uma pracinha toda arborizada como aquelas que haviam em centro de cidades para que as pessoas pudessem ali se sentarem e se sentirem num local propício para conversar e trocar ideias. Conseguiam bem o que tentavam, a pracinha estava lotada. Eu e Júlia fomos até a quadra de areia aonde haviam dois times jogando voley. Eu fui pra um lado e ela para o outro. Jogamos por durante 40 minutos aproximadamente e saímos cansadas. Pegamos nossas mochilas e coisas e falei “Júlia, veja por favor pegue a máquina dele para tirar uma foto aqui em cima” , ela respondeu “Achei que estava com você” “Júlia, você estava com ela quando viemos aqui pra cima”. Droga, rodamos todo o local procurando aquela máquina. Odiava perder coisa dos outros, quanto mais uma de valor como esta. Por fim a encontramos dentro da mochila dela. Ufa…. não era hora de perder uma máquina daquelas.

Júlia ia descer depois, ficou para conversar com alguém e eu peguei o elevador, cheia de areia. Assim que entrei no elevador e pedi para descer, este parava em cada andar, e entravam pessoas muito bem arrumadas, que ficaram bem incomodadas com o meu jeito naquele momento: se short, blusa de manga e cheia de areia, ocupando um espaço maior do que podia estar  ocupando (era o que estava estampado na cara deles) e comecei a me sentir mal. Queria que chegasse logo o andar dele, havíamos combinado de nos encontrar lá naquela hora.

Oras, qual era o andar dele? Qual era o número do apartamento dele? Não podia deixar o elevador passar do andar e eu chegar lá em baixo na área de festas desse jeito, todo mundo arrumado e eu cheia de areia. Em qual andar estava? O elevador não parava mais, estava descendo direto. 4! Foi no reflexo. Apertei o quarto andar pra sair, e dali subia ou descia as escadas procurando. Foi batata, em menos de um segundo o elevador parou. Respirei fundo aliviada, pelo menos com a pressão das pessoas dentro daquele elevador eu não ia sofrer mais.

Parei no quarto andar segurando minha mochila e minha toalha, aliviada que não tinha ninguém no corredor, assim ficava mais livre pra pensar. Olhei pra baixo, nossa, estava realmente toda suja de areia, não culpava aquelas pessoas que me olharam estranho.

Meu Deus, como me encontraria com ele novamente? Ele iria embora sem me encontrar? Iria passar em todos os andares batendo de porta em porta? “Lembro que começavam com 5…, não, com 7… Droga, não adianta chutar, tenho que saber! Mas minha memória sempre foi tão boa”. Pensava sem parar, ia olhando os números dos apartamentos de porta em porta com esperança de que, vendo, lembraria do número. Nada… Ia batendo o desespero. Fui subindo as escadas até o sétimo andar. Lembrei que tinha 7 e 5, não era a toa… “por que não tentar o 705?” Bati na porta, um rapaz com cara de sono atendeu “Ah, me desculpe, achei que era o apartamento do meu … amigo, desculpa” Ele nem respondeu, apenas bateu a porta. Então tentaria o 507. Desci novamente. Antes de bater na porta lembrei que aquele era o nosso apartamento, meu e da Júlia. Então o dele era realmente no sétimo andar.

A verdade é que estava perdida, confusa, não sabia onde ele estava, se ao menos estava no apartamento ou ainda lá em baixo do prédio, também não sabia se ele se lembrava que eu estava ali indo ao encontro dele. Preferi entrar no meu quarto e esperar.