O blog dos meus sonhos

O sonho é uma maneira de o inconsciente transmitir mensagens.

Meu? 27/06/2011

Filed under: Sonhos — Lalapis @ 12:28

Estava em uma pousada com muitos colegas. Esperávamos algum evento dar início, e enquanto isso minhas amigas queriam ficar ali na piscina conversando com os garotos. Eu não estava nem aí pra eles. Estava em uma espreguiçadeira esperando o tempo passar… Havia deixado um bilhete para o Arthur antes de ele acordar e o esperava se arrumar. Como sempre ele estava correndo pois o trabalho tomava muito seu tempo, tudo se tornara corrido. Nossos encontro às escondidas já me incomodava. Esse conjunto de coisas já fazia nosso caso ser menos interessante, não me agradava mais.
Meu telefone tocou, corri até a minha bolsa para atender. Me surpreendi quando vi que era ele. Ele não ligava mais. “Ei amor” “Ei Arthur… Tudo certo?” “Tudo, quero te ver. Você acabou comigo deixando aquele bilhete. Quer me deixar doido?” “(Risos) Não imaginei que fosse ficar tanto”. Sorri. Claro que sabia.
Cheguei aonde ele estava em 5 minutos, era só atravessar a rua. Ele ficava ali alguns dias da semana para podermos nos ver. Enquanto ele arrumava sua bolsa, conversava comigo me atentando, já que eu o fiz em primeiro lugar. Conseguiu. Depois de tê-lo feito um pequeno agrado, ele me abraçou e olhou nos meus olhos “Você é demais sabia?”.
Esperei do lado de fora do quarto pois o barbeiro havia chegado pra cortar seu cabelo. Nem ele podia me ver. Arthur saiu em 10 minutos. O cabelo dele era ralo e não levava muito tempo. Apressado para o trabalho, me puxou pela mão para que o acompanhasse até chegar até o metrô. Pôs seu braço esquerdo em cima dos meus ombros, me deu um beijo e me olhou com sua carinha de frustrado. Seu cabelo estava esquisito, parecia que as partes do lado e de cima eram separados, e estava arrepiado. A vontade era de perguntar “o que você fez com seu cabelo?” mas não quis deixá-lo mais chateado do que parecia estar pois o estrago já havia sido feito. Correspondi à sua carinha frustrada, e apesar disso, o achava lindo do mesmo jeito, então sorri. “Amor, olha o que ele fez com seu Arthuzinho? Olha esse cabelo?”. Seu. Ele disse que era meu, sempre dizia, mas no fundo me perguntava se realmente queria dizer isso. “Quando eu voltar do trabalho quero ver você me esperando, estou com saudades. Mas me espera daquele jeito… depois do bilhete que me deixou vou pensar nisso o dia inteiro” piscou, sorriu e me beijou.

 

Segredo quase revelado 07/06/2011

Filed under: Sonhos — Lalapis @ 02:24

Muitas pessoas estavam no sítio, era aniversário de alguém ou alguma festa. Ele estava ali no meio, não entendia muito bem como ele foi parar bem no meio de uma festa aonde estavam todas as pessoas da minha família. Tudo ainda era segredo, e eu não conseguia conversar muito. Queria ficar quieta. O quanto menos falasse, melhor era, menor era a chance de sair algo que não deveria falar. Só observava todo mundo conversando. Ele estava no meio da roda dos meus primos, todos gostaram muito dele. Júlia estava do meu lado e também tinha a mesma preocupação que a minha. Ela olhava pra mim de lado assim que ouvia algum assunto suspeito. As duas tentavam arrumar uma situação pra dispersar todo mundo, mas era difícil. Todos os meus primos o interrogavam sem parar, e ele estava ali somente como um amigo meu e do meu irmão. Eram perguntas de curiosidade pois ele morava em outro lugar, fora do país.

Assim que as perguntas acabaram por aquele momento, eu e Júlia começamos a nos movimentar, ela pegara a máquina fotográfica dele para tirar uma foto minha. Gustavo, com a mão no queixo, se aproximou de mim e falou bem baixinho no meu ouvido “Ele é o dito cujo?”. Putz. Pra quê eu fui falar pra tanta gente. Que boca grande, a minha. Não aguento guardar as coisas pra mim e acabo confiando em tantas pessoas, que esqueço de lembrar que elas também tem muitas pessoas em quem confiam. E assim, quem eu não queria que soubesse, estava sabendo. Era o início da bola de neve sair rolando e pegar todo mundo que ainda não sabia. Júlia me chamou “Larissa, vem tirar a foto logo” entendendo a situação, olhei para Gustavo e balancei a cabeça levemente em resposta a sua pergunta e saí para perto da Júlia, esperando que eu tivesse respondido sobre outra coisa, e não sobre ele. Eu estava com uma cara de quem não queria nem estar ali pra presenciar aquela bagunça que iria acontecer, torcendo para que meus pais estivessem bem longe, mas sabia que ele era esperto. Dali não ia sair nada, tinha certeza, não importa quantas perguntas fossem direcionadas a ele.

As rosas que foram plantadas ali do lado do curral estavam LINDAS. Eu não gostava muito de flores, nunca liguei muito pra elas. Meu pai sempre teve o maior cuidado, e sempre implorava para que a gente cuidasse delas também, para que gostasse, mas eu nunca pulei nesse barco. Apesar disso, aquelas rosas tiraram um sorriso de mim. Tinham rosas azuis claras, rosas brancas, rosas rosas, rosas vermelhas. Havia outros tipos de flores no meio, um deles era de cor amarela. Havia esquecido o nome dessa flor, mas esta incrivelmente se sobressaiu no meio das rosas. Achava rosas um pouco “comum”, meio clichê. Júlia já não aguentava mais esperar com aquela máquina na mão, com uma cara feia do tipo “ai, anda logo, são flores”, só não falara nada até então por que sabia que eu precisava de momentos ‘bons’, via que aquele momentinho-com-flores era alguma coisa boa pra mim em meio às minhas preocupações. Sentei ali na frente das flores amarelas e sorri pra Júlia.

Pronto, havíamos voltado para o hotel na cidade e o restante caçaram seus rumos. A festa continuara por ali, mas lá só estavam eu, Júlia e ele, agora com seus amigos. Menos perigo, o sufoco passara. Estávamos na área de festas do hotel. Ele estava aproveitando seus poucos momentos ali com os amigos, eu e Júlia conversando ali ao lado e decidimos dar uma volta lá em cima. “Querido, me empresta sua máquina de novo, por favor” pedi, ele a levantou, Júlia pegou e colocou no pescoço, eu disse “já volto”, ele apenas balançou a cabeça e piscou. Gostava de deixá-lo a vontade com os amigos, até por que eles sentiam um certo ciúme de mim. Coisa boba, mas acho que entendia, por não passarem muito tempo com ele.

Antes de chegar ao topo do prédio, passamos no nosso apartamento para Júlia pegar alguma coisa que esquecera. O apartamento dele ficava dois andares acima do nosso, aonde também passamos para que eu deixasse algo que ele havia pedido. Seguimos subindo para o topo.

Aquelele hotel era diferente. Lá em cima havia uma piscina relativamente pequena, uma pracinha toda arborizada como aquelas que haviam em centro de cidades para que as pessoas pudessem ali se sentarem e se sentirem num local propício para conversar e trocar ideias. Conseguiam bem o que tentavam, a pracinha estava lotada. Eu e Júlia fomos até a quadra de areia aonde haviam dois times jogando voley. Eu fui pra um lado e ela para o outro. Jogamos por durante 40 minutos aproximadamente e saímos cansadas. Pegamos nossas mochilas e coisas e falei “Júlia, veja por favor pegue a máquina dele para tirar uma foto aqui em cima” , ela respondeu “Achei que estava com você” “Júlia, você estava com ela quando viemos aqui pra cima”. Droga, rodamos todo o local procurando aquela máquina. Odiava perder coisa dos outros, quanto mais uma de valor como esta. Por fim a encontramos dentro da mochila dela. Ufa…. não era hora de perder uma máquina daquelas.

Júlia ia descer depois, ficou para conversar com alguém e eu peguei o elevador, cheia de areia. Assim que entrei no elevador e pedi para descer, este parava em cada andar, e entravam pessoas muito bem arrumadas, que ficaram bem incomodadas com o meu jeito naquele momento: se short, blusa de manga e cheia de areia, ocupando um espaço maior do que podia estar  ocupando (era o que estava estampado na cara deles) e comecei a me sentir mal. Queria que chegasse logo o andar dele, havíamos combinado de nos encontrar lá naquela hora.

Oras, qual era o andar dele? Qual era o número do apartamento dele? Não podia deixar o elevador passar do andar e eu chegar lá em baixo na área de festas desse jeito, todo mundo arrumado e eu cheia de areia. Em qual andar estava? O elevador não parava mais, estava descendo direto. 4! Foi no reflexo. Apertei o quarto andar pra sair, e dali subia ou descia as escadas procurando. Foi batata, em menos de um segundo o elevador parou. Respirei fundo aliviada, pelo menos com a pressão das pessoas dentro daquele elevador eu não ia sofrer mais.

Parei no quarto andar segurando minha mochila e minha toalha, aliviada que não tinha ninguém no corredor, assim ficava mais livre pra pensar. Olhei pra baixo, nossa, estava realmente toda suja de areia, não culpava aquelas pessoas que me olharam estranho.

Meu Deus, como me encontraria com ele novamente? Ele iria embora sem me encontrar? Iria passar em todos os andares batendo de porta em porta? “Lembro que começavam com 5…, não, com 7… Droga, não adianta chutar, tenho que saber! Mas minha memória sempre foi tão boa”. Pensava sem parar, ia olhando os números dos apartamentos de porta em porta com esperança de que, vendo, lembraria do número. Nada… Ia batendo o desespero. Fui subindo as escadas até o sétimo andar. Lembrei que tinha 7 e 5, não era a toa… “por que não tentar o 705?” Bati na porta, um rapaz com cara de sono atendeu “Ah, me desculpe, achei que era o apartamento do meu … amigo, desculpa” Ele nem respondeu, apenas bateu a porta. Então tentaria o 507. Desci novamente. Antes de bater na porta lembrei que aquele era o nosso apartamento, meu e da Júlia. Então o dele era realmente no sétimo andar.

A verdade é que estava perdida, confusa, não sabia onde ele estava, se ao menos estava no apartamento ou ainda lá em baixo do prédio, também não sabia se ele se lembrava que eu estava ali indo ao encontro dele. Preferi entrar no meu quarto e esperar.

 

Flutuando 06/12/2010

Filed under: Sonhos — Lalapis @ 01:46

Na cozinha de uma casinha de campo, eu pegava a louça dentro da pia, secava no pano de pratos e colocava em cima da mesa de madeira de demolição que ficava no centro. Era uma daquelas mesas antigas, que tem as panelas penduradas de um lado, os talheres grandes em um de seus extremos e gavetas do outro lado da mesa. Estava secando a louça do almoço para depois guardar nos armários. Era uma casinha simples: uma cozinha, uma suíte, uma salinha de TV e uma varandinha que saía da cozinha. Tinha o pé direito alto, paredes no estilo gregorianas branquinhas e telhado de cerâmica.

A casinha ficava no meio de um campo gramado verde,  bem verde. O dia estava ensolarado de fechar os olhos. Ao olhar da janela da cozinha, vi a árvore gigante: 4 pessoas de mãos dadas não era o suficiente para abraçar seu tronco num círculo fechado.

A cada louça lavada, olhava lá pra fora… o dia estava realmente lindo, e eu sorria pra ele. Pensava em acabar logo o que estava fazendo pra aproveitar o dia, passear no campo, olhar pro verde da grama, para o azul do céu, sentar naquela imensa sombra e simplesmente ficar ali, olhando pra “vida”.

Tirei meu avental e, assim que cheguei perto da saída da porta vi uma pessoa lá fora. Parei de sorrir. Era um menino, mas ele não andava. Como poderia aquilo? Ele flutuava, seus braços nadavam naquele céu-e-mar , seu rosto só sabia sorrir. Suas pernas movimentavam num movimento ‘sapinho’, e ele chegava lá no meio das folhas da árvore, estava quase em sua altura. Ele olhou para baixo, em minha direção e sorriu. Com uma mão fez um gesto “vem :) ” eu ainda estava parada e olhando. Como eu poderia estar respirando oxigênio, e ali fora existir toda aquela água? Minha perna direita foi à frente, junto com meu braço esquerdo, que se estendeu para chegar na parte externa. Ao chegar no limite entre a casa e o exterior, minha mão passou para outro “ambiente”. Eu senti uma película que separava as duas coisas. E o mais curioso era de que aquela parte da casa + árvore era circunda da mesma película, que continha a água que havia ali: estávamos numa bolha, e dentro desta bolha havia oxigênio.

A partir do momento que coloquei a mão e percebi que a água era “confiável”, entrei completamente na água e me senti flutuando. Facilmente era levada para cima. Era tão leve, tão natural, não parecia estar nadando, parecia estar voando! A sensação era esta. Era muito bom, queria chegar no topo da árvore, via a casinha lá de cima. A sensação de liberdade era total. Parecia que poderia ir aonde quisesse, poderia chegar em qualquer lugar…

Como era bom voarrr……

 

A maior maldade do mundo 23/11/2010

Filed under: Sonhos — Lalapis @ 11:04
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Estava reunida com familiares. Era final de uma festa com poucas pessoas, somente para a familia. Já estava cansada e sem carro, então tinha que esperar o próximo sair para pegar carona. Enquanto ouvia o falatório lá de dentro da casa, observava da varanda lá fora, cujo apartamento ficava no terceiro andar de um pequeno prédio. Não havia prédios ao lado deste, apenas nas quadras ao redor. A quadra era toda de um prédio só.

Ali em frente havia um campo enorme de areia batida, gradeado. Não existia nada, apenas alguns carros das pessoas que moravam ali. O clima era ameno, as luzes dos postes iluminavam pouco, uma luz amarela e ofuscante. Era um ambiente ruim, depressivo. Observava uma pessoa que passava lá do outro lado do campo, com uma sacola na mão, a outra mão no bolso e capuz na cabeça. Parecia que estava se escondendo de alguém ou de alguma coisa. Havia outros dois carros lá no fim do campo e pensei na hora “por que estacionaram lá longe, ao invés de colocaram aqui perto?” , aqueles carros eram de pessoas que estavam naquele prédio.

Olhei pra trás e vi as pessoas se despedindo, rindo e fazendo as últimas brincadeiras. Algumas seguravam alguns objetos. Era uma festa com troca de presentes. Já iniciei descendo a escada como incentivo aos que estavam ali e deu certo. Meus tios vinham atrás de mim para irmos embora.

Num piscar de olhos já estava em casa, e assim que cheguei percebi que eu tinha ido sim, de carro, não estava de carona. Eu com meus pensamentos vagos sonsei e deixei meu carro lá. Achei a chave que estava comigo, peguei um ônibus e voltei para buscá-lo. Lá vai eu de volta praquela terra triste. Fui pensando, com a cabeça encostada no vidro e olhando pra estrada, pois na vinda havia dormido sem ver o tempo passar.

O ônibus parou num ponto bem em frente ao terreno baldio, e em 10 passadas já estava dentro do carro. Assim que entrei, me senti melhor. Me sentia finalmente em um lugar conhecido, parecia minha casa. Olhei para meu porquinho rosa que ficava em cima do retrovisor, passei a mão nele e sorri. Rodei a chave , dei ré e comecei a tentar achar a saída daquele lugarejo. Não fazia idéia do caminho.

Assim que saí do terreno e peguei uma rua já com mais prédios, senti um movimento maior de pessoas, aliás, um movimento totalmente contrário do que percebi enquanto estava na varanda e olhava lá pra fora. Tinha muitas pessoas na rua, tanta gente que não cabiam nas calçadas, aglumas pessoas andavam no cantinho da rua. Algo acontecia de anormal, eu era a única pessoa que andava de carro, comecei a ficar com medo. Algumas pessoas me olhavam de lado, e eu tentava desesperadamente encontrar uma saída.

Vi que chegava perto de uma rua transversal, mas ainda faltava um bom pedaço até chegar lá. Esta também não era muito iluminada, e tinham muitas pessoas. Toda a cidade acompanhava o clima que eu observava da varanda, luzes fracas, amarelas e ofuscantes. Assim era mais difícil ver as pessoas e saber o caminho que eu seguia. Andando bem devagar com o carro, consegui chegar na transversal e esta rua era mais larga. Virei a direita, e vi duas cenas ao mesmo tempo:

1) A minha direita, havia uma praça com um grande movimento de pessoas.  Essas pessoas faziam um círculo e estavam maltratando alguma coisa. Ouvi barulho de criança gritando e chorando, chorando não, berrando, e não queria acreditar que esse era o alvo dos chutes, socos e murros. Os rostos das pessoas eram malignos. Com suas sobrancelhas arqueadas, algumas riam e outras gritavam. Davam socos no ar como se estivessem comemorando. Estavam possuídas pelo mal. E percebi que a criança era sim o alvo dos chutes e espancamentos, pois os gritos e berros acompanhavam os golpes que observava. Abri a boca assustada, lágrimas escorriam pelo meu rosto.

2) Vi tanques e caminhões cheios de soldados do exército e fiquei aliviada sabendo que aquele movimento não duraria mais. Os soldados não deixariam isso acontecer, iam espantar e prender aquelas pessoas.

Não, não era nada do que eu esperava. Um tanque passou a minha esquerda, no caminho contrário, já tendo passado da movimentação. Outro caminhão estava chegando na praça, na frente ao meu carro, e encostou para os soldados sairem. Ao sairem, eles levantavam as armas para o céu e gritavam, comemorando aquele ato que acabei de presenciar. Aconteceu tudo em câmera lenta em minha cabeça: as pessoas gritando e chutando a criança, que pela voz e pelo choro parecia ter 2 a 3 anos de idade. Outras comemoravam berrando alguma coisa. Os soldados pulavam do lado da carroceria do caminhão ao menos esperando parar, apontando suas armas pra cima, entrando na roda, apoiando os que já estavam ali.

Fiquei assustada, espantada, amedrontada. Me senti sozinha naquele mundo ruim. Passava no meio daquele monte de gente que só queria o mal, e eu parecia ser a única que não entendia nada. A única coisa que ouvia era o barulho daquela criança chorando, e mais nenhum outro, estava ecoando em meus ouvidos. Eu fechava os olhos, que fazia escorrer rios de lágrimas no meu rosto, não acreditando, querendo ver outra coisa. Chorava desesperadamente, já soluçava e não via ninguém que poderia me amparar, estava sem armas, sem poder para fazer alguma coisa. Eu estava sozinha para parar aquelas pessoas que só queriam o mal, e de uma criança!!! Meu Deus!!! Não, não questionei um segundo o que aquela criança poderia ter feito para merecer aquilo, nada poderia! A única razão razoável seria aquela criança ser possuída pelo diabo, que matasse pessoas. Mas isso acontece em filmes! Tem uma produção, bonecos, maquiagem, mentira: isso não acontece na vida real. MEU DEUS!! O QUE ESTÁ ACONTECENDO?? Balancei minha cabeça chorando, esperando que quilo tudo sumisse , que fosse mentira. Por que ainda ouço essa criança chorar?? Queria sair daquele lugar mas não conseguia. Na verdade não queria sair dali, não queria ser conivente, mas não havia nada que eu pudesse fazer. Estava sozinha.

Chorei e rezei.

 

O beijo de lábios 2 14/08/2010

Filed under: Sonhos — Lalapis @ 18:59

Deitados no chão do quarto, todos já estavam dormindo. Na noite anterior tínhamos ido a uma festa que durou até o início da manhã, mas eu e o Kim chegamos depois de todo mundo: paramos na cozinha para tomar café. Olhamos e vimos apenas um colchão estreito desocupado. De um lado dele, 3 e do outro, 4, e perto das cabeças desses colchões, haviam mais 1 ocupado. Deitamos e ocupamos o mesmo colchonete, eu olhando pra cima, e ele deitado de lado a minha direita. Ele deitava em cima do braço esquerdo, cuja mão me fazia cafuné… Fechei meus olhos e respirei fundo. Meu braço esquerdo abraçava seu outro braço que estava em cima de mim.

Era gostoso… o carinho. Ele impulsionou o braço devagar e chegou mais perto. Beijou minha bochecha e ficou ali alguns segundos, que pareceram durar mais que o normal. Beijou novamente, porém mais perto da minha boca, “na trave”. Eu estava parada esperando seus movimentos, não iria tomar nenhuma iniciativa e já sabia que era isso que ele queria. Ele se aproximou dos meus lábios, já sentia sua respiração… Não movi um músculo, mas sentia vontade de rir. Segurei. Ele encostou seus lábios nos meus, molhando-os. Fechei levemente meus lábios num biquinho para recepcionar. Abriu-os e fechou novamente em outro beijo. Ele se afastou , como esperado. Sabia que estava fazendo isso para me provocar. Ele era muito previsível.

Apoiou sua cabeça em seu braço novamente e ficou me olhando, esperando. Abri meus olhos e sorri, não aguentei! Ele não gostou… esperava que eu fosse até ele, mas eu não queria fazer isso. Eu queria iniciativa vinda dele, e ele só me provocou. Saiu, abriu a porta do quarto e pediu um colchão ao ajudante, ele trouxe na hora “ah, trás um edredom e um travesseiro também, por favor”, estava bem frio. Me sentei no colhão e fiquei olhando pra ele, que sério,  desviava seu olhar de mim. Orgulhoso. Achei que fosse dormir ali no colchão comigo. Too bad. Canso-me de ceder e não ia fazer aquilo de novo, não iria atrás dele.

Ele colocou seu colchão no canto do quarto, nos pés dos 8 colchões alinhados incluindo o meu. O final do colchão dele beirava meu travesseiro. Ele se deitou de costas encolhido debaixo do edredom. Deitei novamente, olhei pro alto e respirei fundo frustrada. Pra quê ter feito aquilo pra terminar desse jeito? Mas ele não aguentou… não demorou pra ele esticar o braço, ainda de costas, e apoiar sua mão em meu ombro me chamando. Eu sorri aliviada. Me levantei, ele levantou o edredom atrás de si para que eu deitasse… Assim que deitei ele pegou meu braço e juntou com os seus. Esticou seu braço “de cima” pra trás e puxou meu corpo para que encostasse no dele, dos ombros aos pés. Ficamos abraçados por um tempo, ele beijou minha mão. Dei um beijo em sua nuca.

 

Força contrária 14/08/2010

Filed under: Sonhos — Lalapis @ 16:31

Havia uma exposição de maquetes no clube, e eu já estava lá o aguardando, com seus irmãos. Eu e seu irmão tínhamos acabado de ouvir na rádio a repressão que o governo estava fazendo contra as tintas coloridas: não havia motivos para tanto colorido, tudo devia ser neutro, fosse bege, branco ou preto, no máximo cinza. Sua irmã caçula aguardava ao nosso lado olhando as exposições minuciosamente, não entendendo muito o que estava acontecendo. Helicópteros sobrevoavam a procura de cores, tudo estava sendo muito vigiado. Zico chegou e pegou minha mão “venha, vou te mostrar!” fomos andando atrás dele, pois ninguém sabia qual era a de sua autoria. Até então eu nem sabia que maquete era uma de suas artes… Assim que ele percebeu o que estava acontecendo, se distanciou de nós correndo. Eu e seu irmão já haviamos entendido e olhamos ao redor, não havia ninguém ali além de nós, até então estávamos seguros. Zico foi até a sua maquete, pegou rapidamente todos os objetos coloridos e colocou atrás de seu corpo escondendo-os, olhou a redor. “Vai, joga tudo no lixo e vamos embora daqui” eu disse. Ele o fez, e começamos a caminhar deixando o lugar. Eu e seu irmão olhamos ao mesmo tempo para o alto e depois um para o outro, ‘ainda bem que estávamos dentro de um galpão, assim o helicóptero não nos viria’ pensamos juntos. Mas… a tinta estava fresca, e a mão e braços de Zico estavam todos sujos. De repente um cavalo adentra o local, sua pele era colorida. Sim, ele estava ali pra achar os coloridos-rebeldes e assim que nos viu, sentiu o cheiro da tinta, relinchou e veio em nossa direção. O medo tomou conta de nós 4. Eu fui em direção ao portão que ficava entre nós e o cavalo para fechá-lo, desta maneira o atrasaría. O irmão pegou na mão da caçula e a puxou para que corresse. Zico, se sentindo culpado, estava perdido no meio daquilo tudo e me esperou. Voltei correndo, fechando todos os portões, e o cavalo dava meia volta até tentar o próximo, também fechado. Os irmãos estavam no lado de fora e o cavalo também. Ao modo que eu fechava os portões eles foram diretamente em direção ao último. Tudo fechado, o cavalo se acalmou não tendo outra opção para nos alcançar. Bufou e nos encarou. Zico limpou suas mãos em sua bermuda sem pensar, e os quatro, andando, saíamos dali, em passos calmos, olhando para os lados tentando não levantar suspeita.

 

Paralisia do sono 31/07/2010

Filed under: Sonhos — Lalapis @ 01:21
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Dormia há pouco tempo, e de repente vi as luzes no teto do meu quarto que vinham dos postes da avenida. O barulho dos poucos carros que passavam era claro e incomodavam muito, como sempre. Mesmo do quarto andar ouvia-se o barulho de carros, música dos lugares ao redor e até de pessoas conversando (quando o movimento era menor, a noite por exemplo). Dormir era difícil daquele lado do prédio por conta disso. Mas aquela hora não estava acordada, era apenas uma impressão. Ouvia tudo, mas não me movia. Lembrei que aquilo já havia acontecido comigo algumas vezes, e chegava até a ser engraçado: minha mente acordava podendo ouvir tudo ao redor, mas não conseguia mexer nem um membro, nem fazer algum barulho, nada. Uma vez me recordo enquanto assistia a um jogo da Copa do mundo, deitada no sofá da sala. “Acordei” mas não conseguia abrir os olhos, ouvia o Galvão Bueno “bla-bla-blando” sobre o jogo, amiga falando no telefone e eu lá estirada no sofá, não conseguindo dizer que estava acordada. Os braços não se moviam, o grito… que grito o quê, a voz não saía de maneira alguma. Um murmuro conseguiu escapar, mas se não era fruto da minha imaginação que queria muito ouvir uma voz saindo, foi baixo demais pra ela ter me ouvido. Uns segundos passaram e continuava com as mesmas dificuldades, até desistir e então forçar minha mente a dormir novamente, assim acordaria por completo alguma outra hora. Outra vez foi deitada no colo de um namorado dentro da van que nos buscava na faculdade. “Acordei” e ouvia a conversa das pessoas, ele rindo com os outros e eu ainda deitada sem me mexer. Tentei rolar, mexer os braços, levantar-me, falar alguma coisa, e saiu algo parecido com “aahhnn”. Dessa vez fui ouvida! Ele colocou a mão em minha cabeça e disse “Volta a dormir… Não estamos perto”. Isso me acalmou, e assim retornei ao sono. Com o tempo fui percebendo que era algo recorrente e quando acontecia “brincava” de conseguir vencer aquela “força”  que não me permitia ter controle dos meus movimentos. Mas essa vez foi diferente de todas as outras. Foi uma paralisia do sono mas eu não percebi, achava que estava sonhando. Antes fosse! Era um pesadelo! Aquelas luzes no teto do meu quarto me assombravam, o quarto estava escuro e eu queria acordar. Olhava para os dois abajures ao lado da cabeceira e não conseguia alcançar seus interruptores. O interruptor da luz do meu quarto também estava perto desses, mas era longe demais. Ainda continuava escuro, não estava nada bem pra mim. Eu queria muito acordar, mas uma força imensa me fazia ficar ali presa. Eu não queria mais isso !!! Queria gritar, chamar minha mãe! Mãe se desespera ao ver o desespero do filho, então era minha saída! Consegui desencostar os lábios, e a força nas cordas vocais era muito grande, mas não saia absolutamente nada. O ar estava muito pesado, era um pesadelo gigante, porém acordada. Eu me questionava se realmente estava “acordada” ou era um sonho, pois eu conseguia enxergar o que acontecia. “Já sei!” pensei. Se não conseguia falar, poderia tentar assobiar bem alto. Com uma mão retirei o aparelho móvel da boca, e com a outra coloquei os dedos para o assobio. Nada. Nem sopro saía. Fui colocar o aparelho de volta e percebi que o havia quebrado. “Droga, acabei de começar a usar isso”. Como eu conseguia levar a mão até a boca mas não saia som? Não era justo! Até fazia os movimentos, mas não conseguia alcançar os objetivos. Era como dar um pirulito grande e colorido a uma criança e ela não conseguir sentir gosto algum. Mas é claro que era muito pior do que isso… Sentia um calor inconveniente, uma força que queria que meu sofrimento aumentasse. “Tá, vou me jogar no chão” pensei. Fazia força pra direta, esquerda, direita esquerda… “quem sabe esse ‘balancê’ (só se for da mente, né?) não me joga pra baixo? O impacto com certeza me acordará”. NADA! Já estava sem paciência e desesperançosa, havia tentado de tudo e ninguém me ouvia. Lembrei que as portas estavam todas fechadas… por mais que conseguisse soltar um murmurinho ninguém me ouviria. Só um dos meus travesseiros caiu no chão, affe, parecia piada. Queria fazer barulho e o que consegui derrubar no chão, ao invés de mim era o travesseiro! Enfim me rendi àquele sofrimento e deixei que acontecesse o que fosse necessário. Esperava que a qualquer momento alguém entrasse por aquela porta e me salvasse, mas continuava olhando para o teto iluminado dos postes da avenida e ouvindo o barulho dos carros, paralisada.

Abri os olhos. Ali estava a maldita iluminação no teto. Olhei para o abajur e com muita dificuldade e nervosismo mexi meu braço para alcançar os interruptores do abajur mais claro, e logo em seguida o do quarto. Pronto, não havia iluminação de lugar algum além do lustre!! Levantei rápido para não voltar praquele pesadelo. Ah, isso já havia acontecido comigo várias vezes (voltar para o mesmo sonho). Saí em direção do quarto da minha mãe. Ah me Deus, uma mulher da minha idade correndo pra mãe ajudar a dormir! Mas não consegui me imaginar dormindo naquele quarto “pesado” novamente, sozinha… não tinha condições! Em poucos segundos decidi que, infelizmente, teria que ser criança de novo. Coitada de mamãe… dormia tão mal a noite e eu a prejudicaria com meu pesadelo porco. Assim que abrisse o quarto ela acordaria e com certeza ficaria preocupada. Putz…. ela não estava ali. Droga… me acalmei. Respirei fundo e voltei ao quarto, não precisava mais acordá-la. Me resolveria com a cama, daria meu jeito. Olhei pra ela e não gostei de pensar deitando ali de novo. Fiquei em pé um pouco e comecei a escrever. A todo momento imaginava se (1) estava sonhando, (2) havia tido a paralisia do sono ou (3) eram as duas coisas ao mesmo tempo. Escolhi a terceira opção.

Tomei coragem e voltei pra cama. Minha mãe saberia logo pela manhã o que havia acontecido comigo através dos papéis escritos que coloquei debaixo da minha porta. O pesadelo me deixou tão desnorteada que nem do quarto conseguia sair mais, a partir do momento que retornei. O corredor estava escuro, e a luz do interruptor que estava mais perto estava queimada. Momento criança dois: medo de escuro. Já havia passado dessa fase há muito tempo. Fechei a porta, olhei pra cama novamente e decidi encara-la.

 

Out of the hole? 01/07/2010

Filed under: Sonhos — Lalapis @ 11:58

The light becomes clearer.

The bond was made.

The heart started beating.

The child has woken.

The mind flew higher than the clouds.

The hands started working.

The feet walked, ran, ran faster.

The mouth opened in a big smile.

The eyes closed, because the cheeks took its place.

The willing tears were kept inside.

Because it’s not a hole anymore.

 

O encontro 10/05/2010

Filed under: Sonhos — Lalapis @ 12:08

O quarto era enorme, estava abandonado e tinha dois pavimentos divididos por um degrau: um mais abaixo que era azuleijado e o mais acima era muito espesso, apensas acimentado. Estavam bem sujos, e como precisávamos de limpar aquilo para conseguir alugar, puxei a frente da faxina. Espalhei o sabão em pó e pedi a Gabriel que jogasse água com a mangueira. A vassoura trabalhava bem, mas no pavimento mais acima as coisas estavam difíceis, pela dificuldade do atrito. Todos pegaram uma vassoura e ajudaram. Estava me sujando toda de água e sabão, mas aquilo era um exercício e tanto! O sol se punha, dava pra ver da janela. De vez em quando parava pra olhar as cores avermelhadas nas nuvens, os últimos raios de sol pelo céu… era lindo. Olhar para aquele céu por alguns segundos me dava um gás gigante para retornar ao trabalho. Continuei a esfregar o piso azuleijado e terminamos, logo tendo a sensação de dever cumprido. Aquilo já tinha sido nossa “academia do dia”, minha e de Gabriel. Após passamos o rodo em tudo, fechamos e saímos do local. Fui de encontro ao meu carro sozinha. Gabriel havia ido emborade com outra carona, como cada outra pessoa havia arrumado seu meio de retornar à sua casa. Quando cheguei na rua, lembrei-me que só havia esfregado metade do pavimento acimentado: com a dificuldade de esfregá-lo e minha facilidade de procrastinar, eu havia escolhido passar para o piso azuleijado para depois voltar àquele. Agora já era, teriam que fazer isso depois. Havia feito minha parte.

Andava pelas ruas do triângulo procurando meu carro, vestindo roupa de academia. Como me tiravam do sério os homens sem respeito. Eu tinha que andar olhando sempre pra frente pra evitar arrumar confusão. Meu estopim customava ser bem curto pra esse tipo de comportamento.

Não lembrava de jeito nenhum aonde estacionara meu carro. Ao passar num cruzamento, tive a idéia de apertar no controle do carro os botões de abrir e fechar para que com a ajuda do barulho eu o localizasse. Apertei o botão de abrir. Ouvi, provavelmente, o meu carro fazendo o barulho “pi pi” logo atrás na esquina, e no exato momento o carro que me ladeava à esquerda fez o mesmo barulho, me fazendo ter a sensação que havia o provocado com o meu controle. O motorista havia aberto e fechado o carro se certificando que realmente havia o trancado. Acabara de estacionar e estava logo atrás de mim saindo do carro. Achei engraçado a coincidência e me perguntei se o dono do carro também havia percebido. Principiei virar o rosto já achando graça da situação e dei de cara com o dono do carro logo atrás de mim, quem também havia percebido a coincidência, sorrindo, visto que já havia me reconhecido. Um susto.

Era ele. Primeira vez que nos víamos desde que havíamos brigado há muito tempo atrás… Ele olhou pra mim e sorriu, e eu, depois de ter fechado a cara com o susto, surpreendentemente também sorri. “Laláa…!!” Veio ao meu encontro com os braços abertos e um grande sorriso no rosto. Eu retribui e continuamos andando. Os dois sorriam de orelha a orelha. Estranhando demais meu comportamento, eu ignorei completamente o fato de que estava indo embora. A primeira reação que havia ensaiado comigo mesma para quando o encontrasse, em todo esse tempo, era de dar um sorriso amarelo, virar a cara e sair em outra direção, pois era o que ele havia feito comigo até então, de outras maneiras. Até aquele momento eu sentia que o que ele merecia era meu silêncio, minhas costas, e não meu sorriso e minha alegria. Leozinho estava estranho, diferente. Ele estava feliz com aquele encontro, o que eu também não esperava. Ele estava diferente, mas não sabia dizer em quê. Em tão pouco tempo parecia que ele havia mudado tanto! Notei algo em seu rosto: continuava mantendo os cuidados que eu tanto o sugeria… Ele sempre tentava resistir mas no final não conseguia. Pelo visto alguém presente em sua vida agora o fazia continuar com aquele costume, algo que para mim, o fazia ficar ainda muito mais bonito do que já era.

Não entendi por que andávamos na mesma direção. Algo fazia com que nós dois continuássemos seguindo em frente. Eu, pelo menos, não tinha noção para onde estava indo… “E ai Leozinho, como vão as coisas?” “Vão bem, o de sempre… e com você?” “Tudo certo também… Como está o namoro?” “Ok”. Notei a vontade de pular aquele assunto. Para minha surpresa, novamente, eu gostei de sua reação. Em seguida ele me abraçou, e em silêncio retribui, um abraço “de lado”, enquanto continuávamos a andar. A saudade parecia ser a encarregada de mudar todo o comportamento que tinhamos um com o outro. Enquanto desfazíamo do abraço apertado, nossos braços deslizavam do corpo do outro para retornar aos seus postos, sua mão parou na minha e a segurou bem forte, até chegarmos na esquina.

De repende já era dia. Viramos à direita e demos de cara com sua mãe, irmã e quatro primas. Na confusão de tanta gente eu procurei rapidamente por ela, mas não consegui me certificar se estava ali ou não. Nunca havia a visto pessoalmente e muito mal por foto. As duas primas mais velhas eram minhas amigas, mas com o restante havia cortado relações. A briga entre eu e Leozinho proporcionou tal afastamento. Sua mãe e irmã não gostaram nada de ver nós dois chegando juntos, me olharam sérias e mal me cumprimentaram. Logo que nos viram, viraram uma para a outra e começaram a conversar, provavelmente sobre aquela situação. Ele foi em direção a elas dar um grande abraço, sem tirar o sorriso do rosto, o que as deixava mais sérias ainda. Logo que vi Sassá, dei um abraço longo e apertado… a gente se amava, era uma amizade verdadeira. Aproveitei a aproximação e perguntei baixo em seu ouvido “Cadê ela?” Estava com um medo gigante de a namorada de Leozinho me ver ali, tremia de nervoso! Era aparente. Ela não gostava de mim… devia ter tomado as dores da briga entre nós. “Ela já foi embora há meia hora, ele acabou de levá-la em casa. Nossa, que sorte” E senti um alívio gigante. Em seguida cumprimenrei Fafá “E ai Fafazinha, como foi o ‘rock’ sexta-feira? Ficou com alguém?”  Ela morreu de rir, o sorriso dela era lindo… disse que não, mas tinha sido muito legal, pena que não tinhamos conseguido sair juntas. Conversamos um pouco sobre as noitadas, falei pra ela de quantas pessoas estava conhecendo nos últimos tempos e a convidei para sair mais comigo. Olhei para irmã de Leozinho e disse “De nada tá?” e sorri falsamente. Ela olhou com a cara de quem não gostou e perguntou o porquê. A sem educação não havia nem me agradecido após eu tê-la feito um grande favor sem ao menos ela pedir. Apesar disso lembrei-a acontecido, gentilmente. Ela simplesmente ouviu e não me respondeu, apenas se virou novamente.

Fafa havia entrado no carro delas, estava sentada no banco de trás com as pernas pra fora e comendo biscoito. As primas mais novas só sabiam conversar sobre o filme que acabaram de ver, e Leozinho estava conversando com sua mãe. Eu ao lado de Sassá só estava esperando uma brecha para puxá-lo e fazer a pergunta que tão me perturbava naquele momento. Aquela mudança de comportamento radical estava me deixando confusa, sem entender mais nada. Quando ele olhou pra mim, eu o puxei “Posso falar com você um minuto?”  Ele sorriu ” :) É claro..” segurou em minhas duas mãos e me deu um abraço. Comecei a me sentir desconfortável com aquela situação.

“Por que você está sendo tão gentil comigo? Até agora me ignorava, não estou entendendo nada. O que aconteceu pra mudar de idéia?” Ele sorriu, segurou meu rosto e me deu um beijo “Por que me deu vontade :) ” Eu olhei surpresa pra ele e me afastei. Agora sim eu saberia o motivo de sua namorada não gostar de mim. Leozinho sempre foi uma pessoa muito sensata e não teria feito aquilo de maneira alguma em são estado. Ele realmente estava mudado… parecia que havia escolhido caminhos diferentes do que costumava fazer. Eu não o reconhecia, nem conseguia sentir que era a pessoa que mais o conhecia nesse mundo… Ao virar meu rosto, ele tentava me beijar mais. Eu não queria fazer movimentos bruscos e nem aumentar o tom para não chamar atenção do restante, mas Fafa viu “Leozinho… Leozinho… poxa, você não pode fazer isso. Você tem namorada, se lembra? Ela não vai gostar nada se souber disso…”. Ela falou em um tom como estivesse o educando. Ele percebeu e se sentiu confuso…

Senti agradecida e aliviada por Fafa ter visto a cena, pois do contrário eu seria a culpada por aquilo. Quem é de fora sempre leva a culpa. Eu seria a “semeadora da discórdia”, a “pivô da separação”  sem ao menos ter a intenção!! Tudo o que eu queria era sua amizade de volta… da pessoa que eu conhecia antes, pois aquele não era ele.

Apesar de ter gostado daquela reaproximação, aquilo havia sido no mínimo estranho, inesperado e surpreendente. Apertava o controle do meu carro novamente, “pi pi”, “pi”, “pi pi”, “pi” e o ouvia de longe. Voltava sozinha pela rua a procura do meu carro perdido…

 

A festa 20/04/2010

Filed under: Sonhos — Lalapis @ 12:36

A piscina estava uma delícia! O dia não estava tão bom assim… o sol mal aparecia, nem quente estava, mas ainda sim, a festa rolava naquela casa. Fui convidada pois convivi lá por alguns bons anos. Apesar de não estar mais na convivência, era muito querida e conhecia todos que por ali estavam. Estava agradável, até por que ele ainda não estava por ali, trabalhava e poderia chegar a qualquer momento. Estava atenta, queria evitar momentos constrangedores de qualquer maneira, do jeito que a coisa estava andando, nem ao menos um olhar seria cruzado (por opção dele, é claro), o que seria MUITO chato pra mim. Mas na verdade essa situação já estava tão calejada que não me importava tanto quanto antes. Me preocupei, me chateei por um tempo, mas decidi não manter esse sentimento que me corroia. O tempo se encarrega de consertar as coisas. De repente ouço o barulho do motor da moto: “oops, acho que demorei demais”. Ele chegara e subia as escadas, dava para ver através da porta de vidro. Sai da piscina com meus dois amigos e subimos as escadas para logo retirar as coisas que estavam em seu quarto, tomarmos banho e partir. No momento da subida, ele descia, e como previsto, passou por nós como desconhecidos. Dei de ombros, corri para a minha mochila que deixava sempre no mesmo lugar. Que situação estranha, ele não se comunicava comigo, mas a família me abrigava da mesma maneira, e ainda assim utilizava do seu quarto para guardar minhas coisas. Neste momento percebi meu amigo saindo, estivera ali antes “João, já vai embora? Nós estamos saindo” “Não – ele respondeu – vou ficar mais um pouco, podem ir, te ligo depois”.

 

 
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